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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
VI Jornadas do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar do Médio Tejo - Nós estivemos lá !

 

No dia 9 e 10, fomos assistir ao VI Jornadas do Serviço de Urologia do Centro hospitalar do Médio Tejo, denominadas Sexual(IDADES).
O congresso teve origem no Hotel dos Templários em Tomar e fomos assistir, dentro do nosso horário, aos temas que achámos mais importantes e interessantes para o nosso projecto.
Foram abordadas várias doenças sexuais: a síndrome de deficiência de testosterona, as disfunções ejaculatórias e erécteis e a disfunção eréctil feminina.
Dia 9, por volta das 17horas assistimos ao tema Sexual(idades, onde o Dr. João Dias falou da síndrome de deficiência de testosterona, dizendo que esta é a alteração dos níveis normais de testosterona. A função sexual e a resposta ao estímulo alteram-se com a idade e a diminuição da testosterona, logo a falta desta vai causar uma menor função sexual, porém a testosterona parece não ser muito importante para a ocorrência da erecção. Refere ainda que os sinais e sintomas variam dependendo da etapa da vida na qual a deficiência de testosterona ocorre e esta pode ter consequências sérias para a saúde do indivíduo.
Seguidamente o Dr. Vaz Santos abordou a disfunção sexual feminina. Iniciou dizendo que a disfunção sexual feminina é muitas vezes também conhecida como frigidez, que é a alteração da função sexual com ausência de desejo e da diminuição da resposta orgânica à excitação, como a lubrificação vaginal, o relaxamento da musculatura, etc. Esta pode ser uma doença causada por stress, depressão, ou ainda pode ser uma doença crónica. O tratamento desta doença tem como objectivo a melhoria da libido feminina (vontade ou desejo de realizar o acto sexual), podendo ser tratado apenas usando alguns métodos como a hipnose e a acunpuntura.
A última intervenção deste dia foi realizada pelo Dr. Sílvio Bollini que falou sobre as disfunções ejaculatórias. Estas são constituídas pelas ejaculações retardadas, inibidas ou atrasadas e também a rápida ou precoce. O Dr. referiu ainda o facto de estas disfunções trazerem muita ansiedade e angústia para indivíduos de várias faixas etárias, porém podem ser tratadas através de métodos que têm de ser escolhidos conforme o paciente em causa, sendo estes métodos os seguintes: o psicológico, o farmacológico e o tópico (através de creme, gel ou spray).
Com o fim desta intervenção, seguiram-se os elogios e agradecimentos por parte dos moderadores Dr. Rocha Mendes e Dr. Pedro Martins e o encerramento deste primeiro dia da VI Jornadas do Serviço de Urologia.
No dia 10, o congresso teve início às 9h30 e foi explicada a erecção do homem, e seguidamente iniciou-se a abordagem da disfunção eréctil.
O Prof. Dr. La Fuente de Carvalho, apresentador deste tema, diz ser necessário saber ouvir e saber perguntar, sendo isto bastante importante para o tratamento da doença, sendo possível por vezes até realizar o tratamento sem medicação.
O médico tem de
-saber o historial médico do doente
                               - para saber se DE depende de outra doença
                               - identificar e corrigir factores da doença
                               - identificar que tipo de DE
- realizar um questionário, com 5parâmetros essenciais:
                               - função eréctil
                               - função orgásmica
                               - desejo
                               - grau de satisfação na relação
                               - grau de satisfação global
                São também tratados os métodos de tratamento da disfunção eréctil:  a prótese, a injecção, os fármacos e a bomba de vácuo.
                O Prof. Dr. refere ainda que a não há idade para a disfunção eréctil, existem também jovens a sofrer deste problemas, e esta pode ser um sinal de uma doença sistémica mais grave, 66% dos homens têm DE antes da identificação da doença.
                Seguidamente assistimos ao comentário desta intervenção, pelo Dr. Luís Ferraz, que comenta as desvantagens dos métodos de tratamento existentes para a disfunção eréctil, anteriormente referidos, e salienta que antes de tratar é necessário prevenir!
                No final desta primeira parte da manhã, ainda ouvimos o Dr. António Requixa que diz que o grande problema dos médicos é nem sempre terem tempo para ouvir todos os itens referidos pelo Prof. Dr., e também o haver uma grande ignorância médica a estes níveis. Cita ainda uma frase de Da Vinci para rematar o tema, “O pénis não obedece à vontade do seu dono, quando este o quer pôr erecto ou flácido”
                Depois do Coffee Break foi retomado o congresso, onde foi abordado o tema: as idades da mulher. Francisco Allen Gomes (fundador do primeiro curso de sexologia na Universidade de Coimbra e autor de centenas de trabalhos científicos) referiu em 1914 as idades da mulher eram três: a infância, a adultícia e a velhice, porém actualmente estas idades foram subdivididas sendo agora seis fases: a pré-natal, a infância, a adolescência, a adultícia e a terceira idade. O final da infância é marcado pelo desenvolvimento mamário ou a primeira menstruação, a puberdade pelo peso, mas a maturidade reprodutiva atinge-se cerca de 2anos antes (aos 15anos está pronta para ter o bebé). O marcador biológico do fim da adolescência é a aquisição da autonomia, não uma autonomia económica, mas sim de escolhas fundamentais, como as sexuais, afectivas, profissionais, religiosas e políticas.             
A vida sexual da mulher divide-se essencialmente em três fases: a identificação sexual, a resposta sexual e as relações diádicas.
A mulher nem sempre teve a autonomia nos mais variadíssimos níveis, muito menos no sexual, logo tiveram que ocorrer várias transformações, sendo a primeira grande dissociação a separação do prazer da reprodução, e a segunda a da sexualidade “pura”, que é libertação dos constrangimentos da reprodução, muito incentivada pela pílula que foi lançada no mercado em 1960. Porém nem tudo foram benefícios. Com o aparecimento da sexualidade “pura” passaram a haver outros constrangimentos como a violência, o abuso, a exploração, o aborto, o parto e a morte como consequência de DST.
Surgiu uma simetria de contributo e de participação entre homens e mulheres na vida sexual como também uma relação de igualdade sexual e emocional. Mas independentemente do tipo de educação, religião e classe social, o desempenho sexual da mulher é marcado por um grande sentimento de responsabilidade, mais que o homem, até porque a erecção no homem é normalmente seguida de um orgasmo, enquanto a excitação forte na mulher nem sempre é seguida pelo orgasmo, pois pensa antes disso no futuro. O desempenho sexual é biológico, mas tem muito de social por trás.
Nos tempos de hoje, o amor transformou-se numa metáfora para o sexo e o amor romântico é um amor sexual, não necessariamente monogâmico, tanto para o homem, como para a mulher.
Foram também referidos por Francisco Allen Gomes, três estudos, o primeiro sobre Saúde e Sexualidade (inquérito à sexualidade dos portugueses), o segundo sobre a Avaliação das práticas contraceptivas das mulheres em Portugal e o último Give and Receive, 2005 Global Sex Survey.
No primeiro estudo verificou-se que a primeira relação sem precauções era maior nos homens que nas mulheres (mulheres 41% e homens 47.8%)
No estudo sobre as práticas contraceptivas, foi permitido perceber que os jovens falam mais de métodos com os amigos, seguido dos parceiros e depois da mãe, tal como na escolha do contraceptivo a mãe também ocupa um dos lugares primordiais.
                As condições envolventes de iniciação sexual são a tendência da “sentimentalização” na iniciação sexual masculina (os homens começam a perder a virgindade com quem gostam e não com raparigas por quem não sentem sequer qualquer atracção), enquanto que nas mulheres, a mudança que se observa pode ser designada por “desconjugalização” do contexto de iniciação sexual (com quem perdem a virgindade não é necessariamente com quem vão casar).
                Quanto ao número de parceiros, também nas últimas décadas a mulher realizou mudança. 79,5% das mulheres mais velhas só têm um parceiro, enquanto das mais jovens só 43,5%.
                A mulher é muito mais do que apenas uma mulher, tem de adquirir várias competências, de amante, esposa, mãe e educadora.
                Quanto ao envelhecimento, a mulher avalia o seu grau de envelhecimento pelo interesse que os homens manifestam pelo seu corpo, porém o envelhecimento não devia ser visto como uma má fase, pois traz também com ela boas coisas, como o aumento do desejo sexual.
                Enquanto idosos a expressão sexual, quer no homem, quer na mulher depende da existência de um relacionamento íntimo, um bom estado de saúde e um ambiente sócio-cultural favorável. Factores de saúde e demográficos são os obstáculos a uma sexualidade sem gratificação durante o envelhecimento.
A palestra terminou com comentários e agradecimentos por parte do Dr. Francisco Rolo, o Professor La Fuente Carvalho e o Dr. Paulo Vasco, director do serviço de Urologia.
A nós resta-nos também agradecer principalmente ao enfermeiro César do departamento de Urologia da unidade hospitalar de Tomar que, desde início, se mostrou muito simpático e acessível, fornecendo-nos as informações necessárias, alguns folhetos informativos e também as fotografias que brevemente teremos connosco.
 
 
Jornal Cidade de Tomar - Sexual(idades) em Tomar

 

 

publicado por sexualidadesemtabus às 23:50
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